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Neurologia · Exoesqueletos

Lesão medular e as terapias possíveis graças às novas tecnologias para reabilitação

Rebiotex · 19 de maio de 2020 · 3 min de leitura
Artigo publicado em 2020. Os conceitos continuam válidos; alguns equipamentos citados podem ter mudado de versão ou já não fazer parte do catálogo atual.

A medula faz parte do sistema nervoso central e constitui um segmento muito importante que veicula tanto a informação que projetamos a partir do nosso cérebro (o movimento voluntário) como a que recebemos da periferia (a informação táctil). Uma lesão medular provoca, entre outras coisas, a interrupção dessa informação nos dois sentidos.

Em função da localização e da dimensão do dano aparecerão diferentes sintomas clínicos.

Antecedentes históricos

Existem achados com mais de 4.500 anos que fazem referência às lesões medulares e ao seu tratamento: um papiro egípcio descoberto por Edwin Smith fala das «lesões medulares provocadas por fratura ou deslocação da vértebra do pescoço e acompanhadas de paralisia».

Naquela época a esperança de vida perante essa lesão era praticamente nula, e só no ano 200 d.C. Galeno introduziu o conceito de medula espinal. Durante centenas de anos manteve-se a expectativa de que esta patologia era uma sentença de morte iminente, expectativa que felizmente mudou.

Só se começaram a fazer investigações rigorosas na Segunda Guerra Mundial, quando já tinha melhorado significativamente a sobrevivência dos doentes com lesão medular. O ponto em que nos encontramos agora era inimaginável há algumas décadas.

O estudo da lesão medular na atualidade

Se reunirmos os estudos científicos sobre lesão medular, entre 2017 e 2019 publicaram-se mais de 10.200.

O presente da neurorreabilitação das lesões medulares tem uma estreita relação com as novas tecnologias, que constituem outro ponto de inflexão na sua história.

Os quadros clínicos são muito heterogéneos, mas a evidência sugere um denominador comum na trajetória que a reabilitação deve seguir: intensidade, repetição e funcionalidade. As novas tecnologias tornam possível implementar de forma eficiente estes três ingredientes, e múltiplos centros já as utilizam com essa premissa.

Reeducar a marcha

A sintomatologia é muito variável, mas em muitos casos uma das metas terapêuticas é reeducar a marcha ou dar os primeiros passos após a lesão.

Os exoesqueletos são ferramentas que permitem modular a intensidade do tratamento, facilitando dar muitos passos de uma forma segura, simétrica e funcional.

O objetivo da reabilitação com um exoesqueleto é proporcionar ao doente uma experiência real de marcha e ir reduzindo progressivamente a assistência do dispositivo para exigir maior envolvimento da musculatura do doente.

Há numerosas situações em que a lesão medular é completa, o que no membro inferior implica uma paralisia que impede o movimento ativo. Para este quadro clínico também se aplicam os exoesqueletos de marcha, mas com objetivos diferentes: conseguir um maior controlo do tronco e procurar os benefícios inerentes a manter uma posição ereta em pé.

Um exemplo de dispositivo que permite realizar todas estas funções é o EksoNR da Ekso Bionics.

A neuroplasticidade

A neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso para mudar e se reorganizar. Poderíamos diferenciar entre neuroplasticidade desadaptativa e adaptativa.

O processo da lesão medular poderia considerar-se neuroplasticidade desadaptativa: o sistema nervoso experimentou uma mudança que interrompe ou dificulta a transmissão de informação entre neurónios.

Durante a reabilitação promove-se a neuroplasticidade adaptativa, facilitando, a partir da experiência e da repetição de um gesto motor, que o sistema nervoso procure rotas alternativas para executar esse movimento.

A reabilitação do membro superior

Este artigo centrou-se na reabilitação da marcha, mas merece menção a função da mão e do membro superior.

Com os mesmos objetivos de reabilitação, existem dispositivos que abordam o membro superior de um ponto de vista mecânico (luvas e robôs de membro superior) e de um ponto de vista neurofisiológico, como os dispositivos de eletroestimulação funcional, que facilitam a neuroplasticidade e a funcionalidade estimulando a contração de um músculo enfraquecido através de estímulos elétricos controlados.

Como conclusão, as novas tecnologias são o presente e o futuro da reabilitação das lesões medulares. Em poucos anos gerou-se um progresso muito relevante neste campo, e a melhor ferramenta para continuar a progredir é a investigação.

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