España·Portugal
Rebiotex
Neurologia · Exoesqueletos

Exoesqueletos para caminhar: o presente da neurorreabilitação

Rebiotex · 22 de abril de 2020 · 4 min de leitura
Artigo publicado em 2020. Os conceitos continuam válidos; alguns equipamentos citados podem ter mudado de versão ou já não fazer parte do catálogo atual.

A origem dos exoesqueletos

Os primeiros exoesqueletos concebidos para caminhar tiveram um propósito muito afastado do contexto de saúde: a sua utilização foi militar, realizar longas travessias evitando a fadiga e sem suportar o peso da carga. Ao longo do seu desenvolvimento começou a considerar-se a possibilidade de transpor o dispositivo, com as devidas modificações, para o contexto clínico.

Recuperar e aproximar a marcha de um padrão fisiológico é uma prioridade em numerosas patologias neurológicas, e também em algumas da esfera traumatológica. Foram realizados numerosos estudos sobre a viabilidade de aplicar estes dispositivos em doentes com lesões do sistema nervoso central: lesão medular, acidentes vasculares cerebrais ou esclerose múltipla.¹⁻⁷

Vantagens dos exoesqueletos

Uma das principais vantagens de caminhar com um exoesqueleto é a capacidade de controlar de forma muito precisa parâmetros da marcha que são inalcançáveis numa terapia convencional: a percentagem de assistência do robô para dar o passo, a altura, o comprimento e a velocidade do passo são algumas das variáveis que o terapeuta pode ajustar.

Tipos de exoesqueletos

Existem dois grandes grupos: os treadmill, em que se realiza uma marcha estática sobre uma passadeira, e os overground, em que a marcha se realiza livremente no espaço.

O exoesqueleto EksoNR da Ekso Bionics

O EksoNR é um exoesqueleto overground concebido para facilitar a marcha num padrão semelhante ao fisiológico. Adapta-se à capacidade do doente com três modos:

Há muita evidência que justifica que a intensidade e a repetição são muito relevantes para gerar alterações no sistema nervoso; poder dar passos simétricos a uma cadência alta ajuda a promover e consolidar essas alterações adaptativas.

Do mesmo modo, registar o número de passos e a percentagem mínima de ajuda necessária para dar o passo ou para manter a posição de pé dá-nos dados objetivos para registar o progresso e ter uma perspetiva precisa das adaptações conseguidas.

Embora em geral o exoesqueleto se utilize em doentes capazes de caminhar com dispositivos de ajuda, também se aplica em doentes com patologias que impedem caminhar, como lesões medulares completas. Nesse caso o propósito é gerar adaptações sistémicas e musculoesqueléticas inerentes a estar de pé e caminhar, e fortalecer o controlo abdominal.⁸

Pode utilizar-se o exoesqueleto em casa?

Uma pergunta frequente. O EksoNR é um dispositivo de reabilitação concebido para ambientes clínicos, por segurança e por qualidade da marcha: é recomendável que haja sempre um fisioterapeuta a controlar o comando do dispositivo. É o exoesqueleto escolhido pelos principais centros de reabilitação do mundo. Existe a possibilidade de reabilitação em casa, sempre num ambiente controlado e sob a supervisão de uma pessoa formada na utilização do dispositivo.

Bibliografia

  1. Bach Baunsgaard C, et al. Gait training after spinal cord injury: safety, feasibility and gait function following 8 weeks of training with the exoskeletons from Ekso Bionics. Spinal Cord. 2018;56(2):106-116.
  2. Calabrò RS, et al. Shaping neuroplasticity by using powered exoskeletons in patients with stroke: a randomized clinical trial. J Neuroeng Rehabil. 2018;15(1):35.
  3. Alamro RA, et al. Overground walking with a robotic exoskeleton elicits trunk muscle activity in people with high-thoracic motor-complete spinal cord injury. J Neuroeng Rehabil. 2018;15(1):109.
  4. Chang S-H, et al. Exoskeleton-assisted gait training to improve gait in individuals with spinal cord injury: a pilot randomized study. Pilot Feasibility Stud. 2018;4(1):62.
  5. Sale P, et al. Training for mobility with exoskeleton robot in spinal cord injury patients: a pilot study. Eur J Phys Rehabil Med. 2018;54(5):745-751.
  6. Kressler J, et al. Respiratory, cardiovascular and metabolic responses during different modes of overground bionic ambulation in persons with motor-incomplete spinal cord injury. J Rehabil Med. 2018;50(2):173-180.
  7. Baunsgaard CB, et al. Exoskeleton gait training after spinal cord injury: an exploratory study on secondary health conditions. J Rehabil Med. 2018;50(9):806-813.
  8. Paleg G, Livingstone R. Systematic review and clinical recommendations for dosage of supported home-based standing programs for adults with stroke, spinal cord injury and other neurological conditions. BMC Musculoskelet Disord. 2015;16(1):358.
NeurologiaExoesqueletosEksoNREvidência
← Todos os artigos

Encaixaria no seu centro?

Vemo-lo numa chamada de vinte minutos: que doentes trata, que espaço tem e o que quer resolver. E se não encaixa, dizemos-lho nós antes de si.

Fale-nos do seu centro

Continuar a ler

Neurologia · Vibramoov · 14 de junho de 2021 · 4 min

Princípio FPS, um novo conceito em neurorreabilitação

O princípio FPS (Functional Proprioceptive Stimulation) permite evocar movimento através de um estímulo vibratório no fuso neuromuscular. O que diz a fisiologia, o que mostram os estudos de Roll e como se aplica na clínica.

Ler o artigo →