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Neurologia · Hunova

Esclerose múltipla e o seu percurso até às novas tecnologias para a reabilitação

Rebiotex · 27 de maio de 2020 · 3 min de leitura
Artigo publicado em 2020. Os conceitos continuam válidos; alguns equipamentos citados podem ter mudado de versão ou já não fazer parte do catálogo atual.

Como muitos saberão, a esclerose múltipla é uma patologia de natureza autoimune que afeta o sistema nervoso central, isto é, cérebro e medula espinal. É mais prevalente em mulheres, e a janela de tempo em que predomina o seu diagnóstico oscila entre os 20 e os 40 anos.

O sistema imunitário ataca as bainhas de mielina dos neurónios, provocando surtos inflamatórios localizados. Os neurónios são o meio a partir do qual se processa e se projeta a informação relativa aos nossos sentidos e motricidade, pelo que um surto pode traduzir-se num mau funcionamento de qualquer destas estruturas.

A origem da esclerose múltipla

Embora tenha havido indícios prévios, o primeiro quadro de esclerose múltipla foi diagnosticado em 1868 por Jean-Martin Charcot, neurólogo francês e professor de anatomia patológica.

Esse ano foi o início de um árduo processo de investigação que passou pelas mãos de múltiplos cientistas: Louis Ranvier, que descobriu a mielina em 1878, ou James Dawson, que descreveu as consequências do dano na mielina e a inflamação dos vasos sanguíneos do sistema nervoso central. Só na década de sessenta se determinou que a esclerose múltipla é uma doença autoimune.

Este enquadramento histórico ajuda a perceber o contexto atual: o interesse científico por esta patologia cresceu à medida que se foram descobrindo os seus mecanismos.

A atualidade da esclerose múltipla

Em Espanha há mais de 55.000 pessoas afetadas, e só em 2019 publicaram-se mais de 4.900 estudos científicos que mencionam a esclerose múltipla.

Pouco a pouco, as novas tecnologias juntamente com a evidência científica vão permitindo melhorar a qualidade dos tratamentos dirigidos a estes doentes.

Embora nem sempre seja possível, a reabilitação precoce é capital para prevenir alterações funcionais e recuperá-las da melhor forma possível. Conceitos como preservar a integridade musculoesquelética, melhorar a estabilidade postural, facilitar estratégias de aprendizagem motora, e prevenir fadiga e dor, estão intimamente ligados ao exercício terapêutico.

A evidência atual sugere que um tratamento é mais eficiente se gira à volta da funcionalidade e da repetição. Parece razoável que uma das melhores formas de trabalhar a simetria da marcha é caminhar sem compensações; contudo, há muitos quadros clínicos em que não é possível fazê-lo de forma adequada sem ajuda externa.

As novas tecnologias na reabilitação da esclerose múltipla

É aqui que as novas tecnologias entram em cena: já existem dispositivos desenvolvidos especificamente para contribuir para a solução deste problema, detetando o movimento que o doente está a realizar e assistindo a contração muscular para o facilitar.

Os FES ou eletroestimuladores funcionais

Os eletroestimuladores funcionais projetam um estímulo elétrico para o músculo pertinente para facilitar a sua contração e desencadear um movimento de marcha mais simétrico. Utilizam-se tanto na clínica como em contexto domiciliário.

A posturografia dinâmica

Em reabilitação também é acertado trabalhar outros aspetos relacionados com o controlo motor, a propriocepção e o equilíbrio. Para isso, uma ferramenta muito utilizada na clínica é a posturografia dinâmica: uma plataforma instável a partir da qual se trabalham estas variáveis de forma segura.

Um exemplo de posturógrafo dinâmico que permite trabalhar estes aspetos tanto em pé como sentado é o Hunova.

Uma limitação importante que nós, clínicos, encontramos é a dificuldade para registar o progresso dos doentes de forma objetiva: muitas ferramentas convencionais de avaliação dão lugar a interpretações subjetivas e têm uma baixa fiabilidade entre avaliadores. Graças às novas tecnologias somos capazes de nos aproximar mais da objetividade, e isso facilita enormemente o trabalho na clínica e na investigação.

Como conclusão: as novas tecnologias são o presente e o futuro do processo de reabilitação dos doentes com esclerose múltipla. É a doença neurológica crónica mais prevalente em adultos jovens tanto na Europa como na América do Norte, e isso traduz-se num alto interesse científico e no contínuo desenvolvimento de estudos e novas tecnologias para a sua reabilitação.

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